O GP da Itália de Motovelocidade foi espetacular, mas ficou abaixo do que poderia ter sido. Na classe principal, a MotoGP, Valentino Rossi, o motociclista mais famoso de todos os tempos, fez a pole na espetacular Mugello pela primeira vez em 8 anos, e abriu a primeira fila com a Yamaha 46, ao lado da Suzuki 25 de Maverick Viñales e a Ducati 29 de Andrea Iannone. Mas foi a turma da 2a fila que se destacou na largada, com Márquez tomando a ponta brevemente, superado pelo atual campeão e líder do mundial Jorge Lorenzo.
Rossi partiu bem, tomando a ponta brevemente, superado pelo atual campeão e líder do mundial Jorge Lorenzo. Viñales e Iannone começaram muito mal, o espanhol com um problema elétrico que fez seu motor falhar, o italiano às voltas com a embreagem. Tombo triplo para Alvaro Bautista, que em 2013 derrubou Rossi na 1, San Donato, e dessa vez levou com ele Loris Baz e Jack Miller. Yonny Hernandez, que vinha tendo bom desempenho nos treinos, queimou a largada e teve que cumprir um “ride-trough”...
Fechando a volta 1, os top 10 eram Lorenzo, Rossi, Aleix E., Marc Márquez, Andrea Dovizioso, Bradley Smith, Dani Pedrosa, Andrea Iannone, Scott Redding e Danilo Petrucci. Rossi ataca na reta, ultrapassa Lorenzo , mas esparrama na 1 e volta a ser 2º. Lorenzo e Rossi abrem vantagem dos demais pilotos. Márquez supera Aleix e sobe para 3o, com Dovizioso andando forte e Vinãles recuperando posições, assim como Iannone.
Rossi parecia estar muito competitivo, sempre próximo de Lorenzo e aparentemente esperando por um erro antes de tentar a ponta. Mas na volta 9 a moto 46 falhou uma, duas vezes, e "fumou", indicação de motor fundido. As 100 mil pessoas que lotaram o autódromo e já tinham presenciado vitórias estrangeiras nas classes de acesso, ficaram mudas.
Desapontado como o mundo inteiro, Rossi voltou para sua garagem na garupa do scooter de Igor Antonelli, pai do Niccolo, da Moto3. A explosão do motor da M1 46 foi exatamente a mesma coisa que aconteceu com a M1 99 de Lorenzo no final do treino de aquecimento. O espanhol teve sorte, se tivesse parado um pouco antes, as duas Yamahas teriam "fumado" na corrida. E porque a equipe não trocou também o motor de Rossi por precaução? Segundo consta, o motor de Rossi estava menos rodado do que o de Lorenzo. Ambos foram montados nas motos titulares para o GP da Espanha, mas o de Lorenzo tinha mais sessões de treinos.
Agora vão trocar, claro, mas... A corrida poderia ter sido uma batalha a três entre Lorenzo, Rossi e Márquez, mas ficamos privados disso, que certamente irá acontecer em algum momento desta temporada. Com o abandono, Márquez "herdou" a 2a posição, com Dovizioso correndo em 3o.
Mas as emoções da corrida estavam longe de terminar. Iannone recuperou o tempo perdido e veio em modo de ataque, espremendo o motorzão da sua Ducati para quebrar o recorde de velocidade em corrida, com 354,9 km/h (!), encostou e ultrapassou o xará Dovizioso, provando o que todo mundo já sabia: ele é mais veloz -e mais desastrado - que o companheiro de equipe.
Mais à frente, mesmo visivelmente andando mais que a RC213V número 99, se aproximou do líder Lorenzo, o mesmo acontecendo com Dani Pedrosa, que já havia deixado Dovizioso na poeira, em relação a Iannone. A 3 voltas do fim as Hondas avançam e tomam a 1a e 3a posições, mas são superadas na volta seguinte. Última volta, Márquez ataca na 1, as motos se tocam a 340 km/h; Lorenzo (depois disse querrou uma marcha) resiste, mas no esse seguinte, Lucco/Poggio Secco, a Honda vem com fúria e toma a ponta. Lorenzo faz o miolo colado e tenta uma incrivel manobra nos esses da Biondetti, curvas 13 e 14, onde ele depois afirmaria que havia superado Alex de Angelis na prova das 250 em 2005.
Desta vez não deu certo e Márquez está em vantagem na saída da curva final, a Buccine. Mas na reaceleração de 2a para 6a Lorenzo pega o vácuo, bota do lado e vence, por meros 19 milésimos de segundo. O fato é que a Honda continua com problemas e isso ficou patente de novo na corrida até a linha de chegada em Mugello. Iannone salvou um pouco da honra italiana ao completar o pódio à frente de Pedrosa, Dovizioso, Viñales, Smith, que venceu longo duelo com Petrucci para levar sua moto ao parque fechado como melhor piloto de equipe independente (privada), Aleix, Pirro, Crutchlow, Barberá, Laverty, Bradl, Pol E. e Hernandez.
No parque fechado, Lorenzo subiu no banco e simulou escrever. Eele declarou depois que estava anotando a "cola" da véspera na "caderneta escolar" de Rossi. Muito mais interessante essa anotação na caderneta de um certo Andrea que a organização do autódromo divulgou hoje: um certo Andrea (haha) faltou as aulas de sexta-feira - dia dos primeiros treinos oficiais da corrida -, e declarou como motivo:Mugello. Tudo a ver...
A festa no pódio foi discreta, e Márquez declarou depois que não quis comemorar muito porque viu tomates voando na direção dele e de Lorenzo. Será? Talvez, mas nada justifica, depois da corrida monumental que o público - mesmo a contragosto - presenciou.
Com esse resultado, Lorenzo abriu 10 pontos de frente para Márquez - que se tivesse vencido empataria o mundial -, com Rossi 37 pontos atrás. Faltam ainda 12 corridas, 300 pontos pela frente, e atrasos podem ser revertidos em um piscar de olhos, uma escorregada ou um problema mecânico.
Mas Lorenzo venceu pela 3a vez no ano e está ganhando moral para atingir o mesmo objetivo de Iannone. Mostrar à sua futura ex-equipe que a escolha de quem fica e quem sai foi mal feita...
Na Moto2 a corrida foi interrompida pelo acidente de Xavi Vierge, cuja moto rompeu uma barreira de ar nos esses Biondetti. Confusão e punições no procedimento de realinhamento, e na nova volta de apresentação tombo de Julian Simon, o campeão das 125 em 2009. Os pilotos que pertiriam do Pit foram realinhados no fim do grid e todos partiram para 10 voltas frenéticas.
Thomas Luthi, Lorenzo Baldassarri, Johann Zarco e Sam Lowes se rtevezaram na liderança e brigaram pela vitória, decidida na volta final em favor do francês, que bateu o sensacional Baldassarri per meros 30 milésimos. Lowes terminou em 3o e retomou a liderança do campeonato, 2 pontos à frente de Alex Rins, que foi um dos punidos e terminou em 7o, uma posição antes do ítalo-brasileiro (mais ítalo, já sei) Franco Morbidelli. Em suma, tem gente desejando que todas as corridas da Moto2 sejam disputadas em dez voltas, hehe.
Na Moto3, a corrida foi de enfartar, com 18, 20 pilotos serpenteando pela pista e abrindo filas de cinco a caminho da Curva 1 a cada volta. O destaque da prova foi o local Fabio di Giannantonio, de 17 anos, companheiro de Enea Bastianini na Honda Gresini. O pole Romano Fenati teve um problema mecânico e abandonou quando estava no enorme grupo da frente. No final, entre centenas de reviravoltas, o sul-africano Brad Binder, da KTM Ajo venceu pela 3a vez consecutiva e segue ainda mais líder do campeonato, 49 pontos à frente do espanhol Jorge Navarro, da Estrella Galicia Honda, que foi ao chão e abandonou.
Di Giannantonio, cujo melhor resultado até ontem era um 17o lugar, chegou em 2o a trinta e oito milésimos de segundo, com Pecco Bagnaia colocando a Mahindra em 3o no pódio. O argentino Gabriel Rodrigo ficou em 13o.
O próximo GP será na Catalunha no dia 5 de junho, claro, com transmissão ao vivo do SporTV.
Nenhum comentário:
Postar um comentário